Nau

Ja havia feito um power trio com Beto Birguer e ele ja havia tocado com a Vange Leonel que, diga-se de passagem, era uma gata e na época já cantava bem, além de ser bem maluquinha. Nos reunimos e mãos à obra. Nossa primeira gravacao foi uma música com letra de Fernando Pessoa (está no disco Nao Sao Paulo 2, lançado pela Baratos Afins). Montamos nosso repertório e em 6 meses comecamos a atacar em SP... Tocamos no Rose Bom Bom , Madame Satã , Any 44 , Teatro Lira Paulistana, etc, a energia do NAU teve uma super aceitação pela galera....A rádio 89 FM que era a rádio de rock de SP, pediu a nossa demo no ar, durante a programação.

Gravamos uma fita que o Skowa produziu num gravador cassete de 4 canais. Então passamos a tocar nossa demo na 89FM e na Fluminense FM (de Niterói) e em pouco tempo estavamos na Folha de São Paulo sendo anunciados como uma banda que valia apena ser conhecida, pesada e poética A gravadora independente Baratos Afins, o Luiz Calanca,ou será a mesma coisa, nos convidou para gravarmos duas músicas no segundo disco do projeto Não São Paulo. Gravamos Sofro e Madame Oraculo.

Em 1986 o nosso batera, Mauro Sanches, pegou epatite e foi temporariamente substituido pelo Danny, que era da banda Metrô e foi quem nos apresentou ao Maluly, produtor do RPM, do próprio Metro e surfista calhorda. Foi o cara certo, na hora certa, um super produtor. Gravamos baixo guitarra e bateria ao vivo, com altos amps e instrumentos, me lembro que colocamos órgão em algumas músicas, só que era na verdade um hammond, com 2 caixas leslee, duas toneladas carregadas pelo caminhao de mudanças...risos...Esse disco tem histórias hílarias, me lembro que liguei simultaneamente com um Jazz Chorus stereo, um fender antigo que aluguei do bluseiro André Cristovan, um marshall que ficava no talo em uma outra sala e mesmo assim nao prescisava de retorno (risos) e meu velho e bom politone numa caixa de 15, um grave lindo.Gravamos todos e só equalizamos mixando os amps gravados, quer dizer, todos. Ao invés de irmos no equalizador quando se queria grave, aumentavamos o canal do politone, quando se queria mais definicao no timbre, aumentavamos o fender, e chorus, o JC.

Nosso disco saiu e fomos lança no Rio. Sabem quem estava lá? Cazuza, Barão Vermelho e Ezequiel Neves. Piraram. Alias Cazuza sempre foi nosso fã número um, pelo menos para nós (risos), chegando a ir em um dos nossos shows no rio em cadeira de rodas. Fomos três vezes tocar no Rio e nas três estava ele lá.

Depois chegou o Plano Cruzado, o Brasil entrou na merda de novo e as gravadoras não queriam mais rock e veio a onda sertaneja. Que merda! A Revista Bizz quebrou, a CBS quebrou e nos continuamos a ver navios. Veio Collor e ai ja são outras histórias.

Nessa epoca havia duas categorias distintas de roqueiros....Os que ja haviam alcançaado a grana e o sucesso, caras como o RPM, Ultraje, Lobão, Paralamas, Titãs, Barão Vermelho (ainda com o Cazuza). E os que vinham com propostas novas como Gueto, Akira S, Mercenarias, Violeta de Outono e Nau. O Nau, o Gueto e o Violeta de Outono foram parar cada um numa gravadora major, mas deram o azar de chegarem lá exatamente no momento em que o rock nacional deixava de ser prioridade.

O Nau chegou a gravar material para o segundo disco, com algumas faixas divulgadas na 89 FM*, durante o programa Dubalacobaco, que na época ia ao ar das seis às sete da noite com o Everson e o Zé Luiz, e ainda havia esperança que alguma gravadora topasse lançar o disco, coisa que não aconteceu. A banda logo depois acabou e cada um foi para o seu lado com a Vange partindo em carreira solo que durou três discos.

Texto por Zique, guitarrista da banda Nau, com complementos de Valdir Antonelli.

1987 | NAU

01. Bom Sonho
02. Barcas
03. Cálculos Astronômicos
04. O Que Eu Quero É Você
05. Corpo Vadio
06. As Ruas
07. Balada
08. Linhas Esticadas
09. Nada
10. Novos Pesadelos
11. Madame Oráculo
12. Sofro
13. Diva

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Kokolo Afrobeat Orchestra


Kokolo, conhecido também como Kokolo Afrobeat Orchestra, é uma banda de Afrobeat nascido no bairro ‘Lower East Side’ de Nova Iorque, e fundado por compositor/produtor Ray Lugo.

Junto com The Daktaris e Antibalas, Kokolo ergueu a cena de Afrobeat em Nova Iorque que diante precipitou a renascença do gênero musical em nível mundial.

Concebido inicialmente como um conjunto tradicional de Afrobeat, Kokolo logo desenvolveu um som incisivo, e nos shows a banda costuma a tocar mais rápido e com mais energia de que seus contemporâneos. Kokolo também vem mostrando a habilidade de expandir seu estilo e incorporar influências de vários outros gêneros. Embora Kokolo cante principalmente em inglês, eles já lançaram algumas canções com letras em espanhol e português.

A primeira reação dos críticos ao Fuss And Fight [primeiro álbum da banda] foi negativa. Acostumados com réplicas de Féla Kuti, puristas desconfiavam do som de Kokolo por ser radical demais dentro do padrão de Afrobeat. Mesmo decepcionados com essa recepção tépida, o Lugo resolveu compor o segundo álbum da banda durante um estádio em Amsterdam em 2003, resgatando as ideias e críticas apenas daqueles críticos cujas opiniões ele respeitava, para no fim construir um som ainda mais original.

O resultado foi o aclamado More Consideration, com arranjos mais complicados e composições sofisticadas.

A recepção entusiástica ao More Consideration permitiu que a banda alcançasse novos setores do público e tocasse em alguns dos palcos mais prestigiosos do mundo, inclusive no palco principal do Montreal Jazz Festival, Glastonbury Festival e muitos outros. Também nessa época, a banda começou a experimentar remixes de músicas originais, algo que era visto como tabu por algumas pessoas, mas que na opinião da banda poderia levar a música deles para novos públicos.

Texto | Wikipédia

2004 | MORE CONSIDERATION

01. Mister Sinister
02. Mama Don't Want No Gun
03. Everybody
04. Root To The Fruit
05. Late Night Closed Eyes
06. More Consideration
07. Democrazy
08. Trouble Come Trouble Go
09. Candela
10. Gimme Yaya
11. Candela
12. Late Night Closed Eyes

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Nick Drake


:: A sensibilidade de Nick Drake ::

Por: Jonas Lopes

Existem alguns artistas que, curiosamente, não conseguem atingir um nível grande de sucesso comercial no seu auge, mas que décadas depois tem seu talento reconhecido, idolatrado e imitado. Velvet Underground, Big Star e Syd Barrett fazem parte deste seleto grupo, entre muitos. Outro ícone cult é o genial Nick Drake. Apesar de não ter vendido quase nada em sua curta carreira, é hoje referência para vários artistas e amado pelas novas gerações, vide talentos atuais como Neil Halstead e Duncan Sheik. Dono de uma discografia perfeita e de uma vida curta, Drake provoca arrepios em qualquer um que tenha um coração batendo no peito.

Nicholas Rodney Drake nasceu a 19 de junho de 1948, em Ragoon, Birmânia, onde seu pai Rodney trabalhava desde o nascimento de sua filha mais velha, Gabrielle, que, por sua vez, nasceu na Índia. E foi também na Índia que os pais de Nick se conheceram. A família Drake voltou à Inglaterra em 1952 fixando-se em Tanworth-In-Arden, ao sul de Birmigham. O principal motivo era o problema de coração de Rodney, agravado no clima tropical da residência anterior. A família permaneceu em Tanworth-In-Arden por mais de 40 anos vivendo numa bela e grande casa de tijolos que na parte de trás continha um jardim que se estendia até uma colina.

Desde pequeno Nick teve muito contato com a música, principalmente por causa de sua mãe que era cantora e o incentivou a aprender piano. Em 1961 entrou para Marlborough, uma das mais respeitadas escolas de música da Inglaterra. Ali se destacou no coral e aprendeu a tocar instrumentos como clarinete e sax alto. Mas o que realmente lhe encantou foi o violão.

Fã de artistas como Bob Dylan e Beatles, em pouco tempo já tocava infinitamente melhor do que o rapaz que lhe ensinou. Com seu porte físico avantajado (1,92 metros de altura) foi escolhido capitão da equipe de rugby e era descrito pelos seus colegas como ‘tímido e feliz’. Mas Nick ainda era bastante introspectivo. Ele se relacionava pouco com outras pessoas, até mesmo com mulheres, o que até hoje gera polêmica sobre sua sexualidade (apesar da lenda de que pouco antes de morrer ele tenha tido um caso com a cantora francesa Françoise Hardy). Nick ficou em Marlborough até 66 quando começou a viajar com amigos por países como França e Marrocos. Neste último, em uma das inúmeras lendas que envolvem sua vida, diz-se que Nick encontrou os Rolling Stones, com quem teve uma viagem de LSD.


Em 1967 retornou a Inglaterra passando um tempo na casa da irmã Gabrielle até se mudar para Cambridge onde foi estudar literatura. Nesse período começou a dedicar quase todo o tempo à música, poesia francesa e ao haxixe, o que pode ter lhe causado esquizofrenia. Já tinha um bom número de canções que tocava para os amigos sempre impressionados com a boa qualidade do repertório. Um dia resolveu procurar o estudante de música Robert Kirby. Influenciados pelo trabalho de George Martin e os Beatles em canções como “Yesterday” e “Eleanor Rigby”, passaram a fazer arranjos de voz e cordas para as músicas. No final de 68, Nick se apresentou num festival folk anti-guerra e acabou impressionando Ashley Hutchings, baixista do grupo inglês Fairport Convention, que o recomendou para o consagrado produtor folk Joe Boyd. “Você deve ligar para Nick Drake”, disse Ashley a Boyd. O produtor ligou e se encontrou com o músico. Logo percebeu que suas canções eram especiais e convidou o cantor para gravar um disco. Não recebeu uma resposta segura, mas era uma resposta: “Ah, bem, ok”. Foi assinado então um contrato com a Island Records, através de um pequeno selo, Hannibal. E Nick largou os estudos em Cambridge.

As gravações iniciais de “Five Leaves Left”, seu primeiro disco, não foram tão satisfatórias. Ele não estava gostando dos arranjos e resolveu chamar Robert Kirby, seu amigo de Cambridge, para trabalhar nas canções. A primeira foi “Way To Blue” que acabou assustando Boyd e John Wood, engenheiro de som, por não ter violão. Seria apenas a voz de Nick e um duplo quarteto de cordas. Boyd relatou: “E eu acho que eles estiveram ensaiando isso, mas John estava ligando e posicionando os microfones e eu pensei: Bem, não vou me preocupar até tudo acontecer. E então John ouviria uma - sabe, as violas, os cellos - e ouvir esse tipo de linhas intrigantes, e eu estava ficando cada vez mais impaciente; e eu lembro de John ter sido ríspido comigo porque eu disse: Vamos lá, eu quero ouvir a coisa toda. Ele disse ‘Seja paciente’. E então finalmente todos os microfones começaram a funcionar e nós ouvimos Nick cantando. Olhamos um para o outro e dizendo: Isso é demais. Isso é maravilhoso. Nós estávamos absolutamente atônitos”.

Os trabalhos duraram alguns meses e havia uma canção que merecia um som especial, “River Man”. Nick queria que essa música tivesse eco de seus compositores clássicos favoritos. Kirby admitiu que não estava a altura dos anseios de Drake e Boyd contatou o arranjador Harry Robinson. “River Man” foi gravada ao vivo: voz, violão e orquestra. “Five Leaves Left” saiu em setembro de 1969 causando surpresa em Gabrielle Drake que não sabia que seu irmão já havia chegado a um estágio tão alto. O disco foi bastante elogiado pela crítica, mas não vendeu bem. Nick fez poucos shows. Não gostava deles. Era tímido e não conseguia ser simpático com a platéia. Além disso, suas canções eram complexas demais para serem tocadas em arranjos muito simples.

Em busca de sucesso e reconhecimento como artista Nicholas deixou Cambridge e se mudou pra Londres, onde nunca teve endereço fixo. Morou em vários apartamentos, todos sem mobília, com caixas de leite espalhadas pelo chão e um violão encostado na parede. Nessa época compôs as canções de seu segundo disco, “Bryter Layter”, que levou 9 meses para ficar pronto. Era ainda mais sofisticado que o anterior, com instrumentos como flauta, cravo e naipe de metais. Porém era um disco mais alegre. Contou com algumas participações especiais: o pianista Chris McGregor registrou um solo perfeito na jazzística “Poor Boy” e o ex-Velvet John Cale, que tinha se apaixonado pelo primeiro disco de Nick, fez questão de tocar no álbum. Cale tocou cravo e órgão hammond nas duas mais belas canções de “Bryter Layter”: “Fly” e a sublime “Northern Sky”.

Se esperava muito sucesso de “Bryter Layter”, o que acabou não acontecendo. Isso deprimiu Nick de forma devastadora. A gravadora, entretanto, estava satisfeita com as 15 mil cópias vendidas. Nick fez ainda menos shows que na turnê anterior e deu sua primeira entrevista, que acabou sendo um fracasso. Nela Drake depreciava o disco e se dizia pouco seguro para enfrentar o palco.


O cantor foi ficando cada vez mais retraído. Doenças físicas, como uma pedra no rim, surgiram causando muita dor. Às vezes desaparecia sem dar notícias e seus pais tinham que ir a Londres procurá-lo. Nick se consultou algumas vezes com um psiquiatra que lhe receitou três anti-depressivos diferentes. Segundo o médico, era um caso de depressão interna sem fatores externos concretos. O dono da Island, Chris Blackwell, então lhe emprestou seu apartamento na costa espanhola, onde Drake passou algumas semanas. Voltou se sentindo melhor e querendo gravar um novo disco. Entrou no estúdio com John Wood e em duas noites gravou “Pink Moon”, seu disco mais triste e simples, contendo arranjos compostos apenas por voz e violão, além de um piano ocasional.

“Pink Moon” vendeu ainda menos que os antecessores e Drake acabou voltando a morar na casa de seus pais em Tanworth-In-Arden. Quando se sentia melhor viajava a Londres. Numa crise chegou a ficar um mês e meio internado numa clínica devido à depressão que o impedia de andar e falar. O cantor jogava a culpa de seu fracasso comercial em Joe Boyd: “Um dia em Londres, o meu telefone toca e era Nick, em um telefone público, e ele estava muito agitado querendo falar comigo. E eu disse: ‘Ok, venha’. E ele veio. Ele parecia terrível: seu cabelo estava sujo, a barba por fazer e as unhas também sujas. E ele usava um casaco gasto. Estava meio inseguro, muito nervoso. Sentou e imediatamente começou a falar da sua carreira, sobre dinheiro e era basicamente acusador. Dizia: ‘Você disse que eu sou bom, mas ninguém me conhece, ninguém compra os meus discos. Eu não entendo. O que está errado? De quem é a culpa?’. Ele estava zangado. Eu tentei explicar que não há garantias - que você pode fazer um grande disco e que às vezes ele não vende”.

Com o fracasso na carreira de músico começou a trabalhar como programador de computadores, emprego que seu pai lhe conseguiu. No começo de 1974 entrou em estúdio novamente, mas acabou abortando o que seria seu quarto disco por não estar feliz com os resultados. Nesse ano também morou na França por alguns meses com uns amigos em uma casa-barco. Na noite de 24 de novembro, o inevitável.

Nick foi dormir mais cedo que o normal. Costumava ter noites ruins e aparentemente levantou no meio da madrugada para tomar suas pílulas de Tryptzol. Na manhã seguinte, foi encontrado atravessado na cama por sua mãe com vários discos espalhados no chão. No prato do som, um dos concertos de Bach. Estava morto. Sua morte aconteceu por volta de 6 da manhã por overdose de Tryptzol. Até hoje se discute se foi acidental ou se ele realmente quis se suicidar. A primeira corrente consiste numa parada cardíaca causada pelo antidepressivo. A família afirma que ele estava mais feliz na época de sua morte e que não se mataria. Entretanto, o juiz que investigou o caso afirmou que foi suicídio. Nick Drake está enterrado em um cemitério de Tanworth-In-Arden.

Mais importante do que discutir se sua morte foi proposital ou não é se deliciar com sua música, essa sim perfeita. Fiquemos com sua sensibilidade, sutileza e maestria. Até porque emocionar de verdade não é pra qualquer um.

FIVE LEAVES LEFT (1969)
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Uma das melhores estréias já gravadas. Arranjos orquestrados e complexos em uma mistura de folk com música clássica. Mesmo com a pouquíssima idade (21 anos) Drake já mostrava ser um grande poeta (”Fruit Tree” comprova isso). Um clima triste e bucólico acompanha clássicos como “River Man”, “Way To Blue” e “Time Has Told Me”. Simplesmente perfeito.

BRYTER LAYTER (1970)
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Bem mais alegre que a estréia, “Bryter Layter” era ainda mais detalhado que o primeiro disco. Introduzindo instrumentos de sopro às melodias, Drake antecipava em quase 30 anos aquilo que o Belle & Sebastian viria a fazer no fim da década de 90. “Northern Sky” é, provavelmente, a mais bela e apaixonada canção de amor já composta.

PINK MOON (1972)
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Já tomado pela depressão que o levaria à morte pouco tempo depois, Nick radicalizou e gravou o disco sozinho, fazendo apenas voz e violão, com um piano tímido na faixa que dá título ao disco (e que em 2000 foi utilizada numa propaganda da Volkswagen, fazendo ressurgir o culto ao cantor). “Place To Be” demonstrava bem o espírito atormentado de Drake.

TIME OF NO REPLY (1986)
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São 14 faixas, 10 delas inéditas. Brilham as inéditas “Clothes of Sand” e a orquestrada “I Was Made To Love Magic” que caberia perfeitamente em “Five Leaves Left”. Despidas de produção e amparadas apenas na beleza do violão, “Man In Shed”, “Mayfair” e “Fly” (está última resgatada de um sessão caseira em 1969) surgem tão belas quanto as versões originais. Outro ponto alto é a delicada versão de “The Thoughts Of Mary Jane” com o auxílio da guitarra de Richard Thompson.

Nick Drake


Drake foi um obsessivo na prática com o violão, tocava até a madrugada, experimentava afinações e compunha. Sua mãe lembra: "Eu acho que ele escreveu suas bonitas melodias nas primeiras horas da manhã. Em muitas canções ele acrescenta acentos dissonantes através de afinações exóticas, o estilo é alcançado graças aos uso de clustes.

Estudou Literatura Inglesa, enquanto em Cambridge, especialmente as obras de William Blake, William Butler Yeats e Henry Vaughan, embora suas letras não invoquem metáforas típicas de tais influências. Em vez disso, Drake emprega uma série de elementos retirados da natureza. A lua, as estrelas, mar, chuva, árvores, céu, névoa e estações do ano são todas comumente usadas, em parte influenciada pela educação rural. Características outonais são utilizadas para transmitir sentimentos de perda e tristeza. No entanto, Drake escreve com desprendimento, mais do que como um observador, de um ponto de vista descrito pela revista Rolling Stone "como se ele fosse ver a sua vida de uma grande, inultrapassável distância". Esta percepção de incapacidade social gerou especulações sobre sua sexualidade.

Boyd disse que detecta uma virginal qualidade na sua letra e música, e faz notar que nunca observa ou ouve do cantor um comportamento sexual, seja masculino ou feminino. Kirby descreve suas letras como uma "série extremamente vívida, completa observações, quase como uma série de provérbios", ele dúvida que Nick quisesse ser um poeta. Em vez disso, ele acredita que criou tais letras para complementar o clima da melodia em primeiro lugar.

1979 | FRUIT TREE (Remaster 2007)
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Não houve documentários ou compilações de álbuns logo após sua morte. Seu reconhecimento público manteve-se em baixa até meados de 1970, embora, ocasionalmente mencionado na imprensa musical. A Island Records viu o pouco valor comercial em trazer seu catálogo de volta, e depois de uma crítica, em 1975, escrito por Nick Kent, da NME, afirmou: "… não temos qualquer intenção de relançar os três álbuns, agora ou em qualquer momento futuro previsível".

Por este tempo, seus pais estavam recebendo um número crescente de fãs e admiradores como visitantes à residência familiar em Far Leys. Em 1979, Rob Partridge assumiu a Island Records, e encomendou a liberação da caixa Fruit Tree. Partridge era um fã de Drake, e havia visto ele realizar os discos no início de 1969: "A primeira coisa que fiz quando eu comecei na Island foi sugerir que lançasse uma retrospectiva dos álbuns de estúdio, mais que qualquer outra pessoa que estava lá. Eu não esperava necessariamente milhões de canções, gravações ao vivo ou seja o que for…" O lançamento reuniu os três álbuns estúdio, bem como as quatro faixas gravadas com Wood, em 1974, e foi acompanhado por uma extensa biografia escrita pelo jornalista americano Arthur Lubow. No entanto, as vendas eram mínimas, em 1983, a Island notificou que tiraria Fruit Tree de seu catálogo.

Por meados dos anos de 1980, Drake estava sendo citado como uma influência por artistas como R.E.M. Peter Buck e Robert Smith, dos The Cure. Smith credita a origem do nome da banda na canção "Time Has Told Me" ("A trouble cure, for a trouble mind"). Drake ganhou mais exposição em 1985, com o lançamento "The Life in Northern Town", da banda The Dream Academy, que incluía uma nota dedicatória a ele. Sua reputação continuou a crescer, e até o final da década de 1980, seu nome foi exibido regularmente em jornais e revistas de música do Reino Unido; ele ainda era cultuado por um grande número de pessoas. Drake havia chegado a representar uma espécie de herói mítico de condenados românticos aos olhos de muitos, um "enigma embrulhado dentro de um mistério.


WAY TO BLUE:
An Introduction To Nick Drake


MADE TO LOVE MAGIC


THE JOHN PEEL SESSION


TANWORTH IN ARDEN


TIME HAS TOLD ME


THE ULTIMATE RARITIES, VOL. I



FAMILY TREE
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SECOND GRACE
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TANWORTH IN ARDEN II


TANWORTH IN ARDEN COMPLETE
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TIME HAS TOLD ME, VOL II


THE ULTIMATE RARITIES, VOL. II
A SKIN TOO FEW: The Days Of Nick Drake

No início de 1999, a BBC produziu quarenta minutos de um documentário, A Stranger Among Us - in search of Nick Drake, narrado por Brad Pitt, fã do cantor. No ano seguinte, diretor o neerlandês Jeroen Berkvens lançou um documentário intitulado A Skin Too Few: The Days Of Nick Drake, com entrevistas de Boyd, Gabrielle Drake, Wood e Kirby.

Ainda no mesmo ano, o jornal The Guardian elegeu Bryter Layter como o primeiro álbum numa lista dos 100 maiores álbuns alternativos da história.

Em 2000, a Volkswagen usou o título da faixa "Pink Moon" para um comercial nos EUA.



Assista online: AQUI

John Renbourn


John Renbourn (08 de agosto de 1944 - 26 de março de 2015) foi um guitarrista e compositor inglês, possivelmente mais conhecido por sua colaboração com o guitarrista Bert Jansch, bem como seu trabalho com o grupo folclórico Pentangle, embora mantivesse uma carreira solo antes, durante e depois da existência da banda (1967-1973).

Embora mais comumente rotulado como um músico folk/rock/pop, os gostos e interesses musicais de Renbourn fizeram que ele atuasse também em música clássica e medieval, jazz, blues e na chamada “world music”. Seu álbum mais influente, ”Sir John Alot” (1968), apresentou seu interesse em músicas da época Medieval.

John Renbourn estudou guitarra clássica na escola, período em que foi apresentado a “Música Medieval”. Na década de 1950, juntamente com muitos outros, foi muito influenciado pelo "Skiffle" (gênero musical que mistura influencias de jazz, blues e folk, usualmente criado fora de estúdios e com instrumentos improvisados) e isso o levou a explorar o trabalho de artistas como Lea Belly, Josh White e Big Bill Broonzy.

Na década de 1960, a nova mania era o “Rhythm and Blues” e o impacto da crescente musica folk de Davey Graham. Em 1961 Renbourn percorreu o sudeste da Inglaterra com Mac MacLeod repetindo a turnê em 1963. Durante o retorno gravaram uma fita demo. Chegou a apresentar-se brevemente em uma banda de R & B, enquanto estudava no “Kingston College of Art” em Londres. Embora o movimento britânico "Folk Revival" estivesse em voga, a maioria dos clubes populares estavam inclinados a canções folclóricas tradicionais não acompanhadas e os guitarristas geralmente não eram bem-vindos. No entanto, a casa “Roundhouse” em Londres teve uma atitude mais tolerante e assim, John Renbourn apresentou-se em um show com a cantora gospel Dorris Henderson, tocando guitarra base e posteriormente gravando dois álbuns com ela.

Possivelmente o local londrino mais conhecido em termos de música folclórica no início da década de 1960 era o "Les Cousins" na Greek Street, no bairro de Soho, que se tornou o principal ponto de encontro para guitarristas, cantores e compositores contemporâneos da Grã-Bretanha e América. Por volta de 1963, Renbourn juntou-se com o guitarrista Bert Jansch que se mudou para Londres, vindo de Edimburgo e juntos desenvolveram um estilo dueto intrincado que ficou conhecido como "barroco popular". Seu álbum “Bert And John” é um belo exemplo dessa união.

Renbourn lançou vários álbuns pelo selo “Transatlantic” durante os anos 1960. Dois deles, “Sir John Alot” e “Lady And The Unicorn”, sintetizam seu estilo e material a partir deste período. “Sir John Alot” mostra uma mistura de jazz/blues/ folk juntamente com um estilo de música mais clássica/medieval. “Lady And The Unicorn” é fortemente influenciado pelo interesse de Renbourn na música medieval.

Durante esse tempo, Renbourn também começou a tocar e gravar com Jacqui McShee canções tradicionais folclóricas inglesas e com o violinista americano Sue Draheim. Juntamente com Bert Jansch, o baixista Danny Thompson e o baterista Terry Cox, formou o grupo Pentangle. O grupo foi muito bem sucedido em apresentações na América em 1968, tocando no Carnegie Hall e no Newport Folk Festival.

Renbourn passou a gravar mais álbuns solo nos anos 1970 e 1980. Grande parte da sua música é baseada em material tradicional com influência celta, entrelaçada com outros estilos. Ele também colaborou com o guitarrista americano Stefan Grossman no final de 1970, gravando dois álbuns com ele, que às vezes lembram seus dias de “barroco” com Bert Jansch.

Em meados dos anos 1980 Renbourn voltou para a universidade para colar grau em Composição no Dartington College of Arts. Posteriormente, ele concentrou-se principalmente em escrita de música clássica, enquanto ainda apresentava-se cantando música folk. Ele também acrescentou guitarras acústicas na trilha sonora do filme “Scream For Help”, um projeto de estúdio com o seu vizinho John Paul Jones.

Em 1988, durante pouco tempo, Renbourn formou um grupo chamado “Ship of Fools” com Tony Roberts (flauta), Maggie Boyle (letras, instrumentos diversos) e Steve Tilston (guitarra). Dessa união, gravaram um álbum homônimo. Após trocarem algumas gravações pelo correio, eles fizeram seu primeiro concerto, que compreendeu dois shows esgotados no Harvard’s Hasty Pudding Club Theater da Universidade de Harvard. Lamentavelmente, a fita “bootleg “ retirada diretamente da mesa de som não foi salva devido a uma disputa entre o promotor de concertos e o engenheiro de áudio.

Renbourn continuou a gravar e apresentar-se em concertos, inclusive nos EUA com Archie Fisher. Em 2005, visitou o Japão (sua quinta turnê daquele país) com Tokio Uchida e Woody Mann. Em 2006, tocou em vários locais na Inglaterra, incluindo o Festival Green Man no País de Gales e fez algumas aparições com Robin Williamson e Jacqui McShee. No mesmo ano, trabalhou em um novo álbum solo e colaborou com Clive Carroll na trila sonora do filme “Driving Lessons”, dirigido por Jeremy Brock.

Em 2011 ele lançou “Palermo Snow”, uma coleção de solos instrumentais de guitarra também ao lado do clarinetista Dick Lee. A faixa-título é uma complexa mistura de clássico, popular, jazz e blues. Esta peça é uma despedida, em que há um núcleo clássico se misturando com outros estilos, ao invés do básico blues, folk ou jazz.

Renbourn faleceu em 26 de Março 2015 devido a um ataque cardíaco em sua casa em Hawick, Scottish Borders, com 70 anos.

Texto | Francisco Eduardo

1968 | SIR JOHN ALOT OF

01. The Earle Of Salisbury
02. The Trees They Do Grow High
03. Lady Goes To Church
04. Morgana
05. Transfusion
06. Forty Eight
07. My Dear Boy
08. White Fishes
09. Sweet Potato
10. Seven Up

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Larry Saunders, The Prophet Of Soul & Others | Free Angela


Originalmente lançado em 1971, o álbum Free Angela foi feito para arrecadar dinheiro para o National United Committee Free Angela Davis.

O projeto foi idealizado por Alexander Randolph - um cantor, promotor e proprietário de uma gravadora da Virgínia. A primeira metade do álbum foi gravada no Muscle Shoals, começando com a faixa-título de Larry Saunders.

Em suas canções, os vocais de Saunders flutuam acima e transcendem o apoio etéreo da Muscle Shoals Rhythm Section.

Sua voz pode ser comparada a cantores como Donny Hathaway e Curtis Mayfield, mas Saunders tem com seu próprio estilo. Seu trabalho neste álbum é essencial para ouvir o domínio da música soul socialmente consciente.

A segunda metade do álbum continua com raridade de meados dos anos 1960 raridades do selo Randolph's Sound of Soul.

1971 | FREE ANGELA

01. Larry Saunders, The Prophet Of Soul | Free Angela
02. Larry Saunders, The Prophet Of Soul | This World
03. Nitroglycerine | Old Uncle Tom Is Dead
04. Larry Saunders, The Prophet Of Soul | Where Did Peace Go?
05. Dickie Wonder | Nobody Knows
06. Brother Love | I Can Be
07. Tyrone Thomas | Baby Can't You See
08. Judd Watkins | Paradise
09. Soul Encyclopedia | Geraldine Jones

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The Budos Band


The Budos Band é uma banda instrumental da gravadora Daptone Records. A banda tem dez membros (até trezes membros, as vezes) que tocam música instrumental que é auto-descrito como “Afro-Soul”, um termo de som.

Em uma entrevista 2007 o saxofonista barítono Jared Tankel diz que a banda vem sendo desenhada como música Etiópia.

Influência de jazz,deep funk, afro-beat, soul , e tudo gravado no seus próprio estúdio, Daptone’s House Of Soul no Brooklyn em Nova York.

Texto retirado do blog | Periecos Brechó

2005 | I

01. Up From The South
02. T.I.B.W.F.
03. Budos Theme
04. Ghost Walk
05. Monkey See, Monkey Do
06. Sing A Simple Song
07. Eastbound
08. Aynotchesh Yererfu
09. King Charles
10. The Volcano Song
11. Across The Atlantic

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2007 | II

01. Chicago Falcon
02. Budos Rising
03. Ride Or Die
04. Mas O Menos
05. Adeniji
06. King Cobra
07. His Girl
08. Origin Of Man
09. Scorpion
10. Deep In The Sand

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2009 | EP

01. Hidden Hand
02. Mas O Menos
03. The Proposition
04. Ephra
05. Nobody's Bulletproof
06. Smoke Gets In...
07. Unnamed Bonus Track

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2010 | III

01. Rite Of The Ancients
02. Black Venom
03. River Serpentine
04. Unbroken, Unshaven
05. Nature's Wrath
06. Golden Dunes
07. Budos Dirge
08. Raja Haje
09. Crimson Skies
10. Mark Of The Unnamed
11. Reppirt Yad

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2014 | BURNT OFFERING

01. Into The Fog
02. The Sticks
03. Aphasia
04. Shattered Winds
05. Black Hills
06. Burnt Offering
07. Trail Of Tears
08. Magus Mountain
09. Tomahawk
10. Turn And Burn

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Miles Davis


Em 1972, o choque elétrico que Miles Davis tinha dado no Jazz com o duplo Bitches Brew (1970), começava a ser assimilado. Foi quando o Prince of Darkness ( apelido que havia recebido, em 1967), leva o jogo a outro patamar, com o hipnótico e denso On The Corner.

Em 72, Davis foi introduzido à música de Stockhausen por um jovem arranjador e violoncelista, e mais tarde ganhador do Grammy: Paul Buckmaster, que influenciaria profundamente as novas gravações . Segundo o biógrafo J.K. Chambers : "O efeito dos estudos de Stockhausen por Davis não poderiam ser contidos por muito tempo. …sua própria 'música espacial', mostrava composicionalmente a influência de Stockhausen”.

Suas performances ao vivo entre 1970-1972 eram verdadeiros laboratórios sonoros, onde Miles, muito bem acompanhado, inclusive contando com dois músicos brasileiros em sua banda, Airto Moreira e Hermeto Pascoal, criava novas linguagens e levava seus experimentos a extremos, antes impensáveis para o conservador Jazz.

Ao entrar em estúdio em junho de 1972, Miles resolveu experimentar até onde a mistura de Stockhausen e black music elétrica de Sly and The Family Stone, Funkadellic, Stevie Wonder e Isaac Hayes poderia chegar. Acabou explorando uma sonoridade altamente dançante, negra urbana, feita sob medida para agradar o jovem público afro-americano.

Chamou um time impecável de músicos, formado por Michael Henderson, Carlos Garnett, o percussionista Mtume, o guitarrista Reggie Lucas, o tocador de tabla Badal Roy, Khalil Balakrishna na cítara, o baterista Al Foster, e o pianista Herbie Hancock, que também estava trilhando um caminho parecido ao unir o jazz ao funk (que geraria outro marco no fusion, o álbum Head Hunters, lançado em 1973). Após rápidas jams sessions, pariu um de seus melhores trabalhos.

On The Corner, soa como se Exu tocasse trompete em uma encruzilhada de uma grande metrópole, ou a trilha sonora de uma versão Blackexpoitaiton do filme “2001”.

O álbum é uma longa jam, que não se prende a estrutura do jazz tradicional. A seção rítmica fornece um denso tapete polirrítmico sobre o qual os solos de trompete, encharcado de wha wha, e sax, se debruçam formando camadas de som, com elementos eletrônicos cheios de efeitos, que são adicionados e subtraídos, em meio a um transe sonoro, forrado por uma percussão afro sci fi.

Previsivelmente, o disco não foi entendido na época e despertou a ira da crítica de jazz, que já vinha estranhando a fase elétrica de Miles há um bom tempo. On the Corner foi chamado de "porcaria repetitiva" , "um insulto à inteligência das pessoas" e foi considerado anti-jazz, hostilidade resumida nas palavras nada amistosas do saxofonista Stan Getz- "Essa música é inútil. Não significa nada. Não há nenhuma forma, nem conteúdo. Quase não tem swing”.

Mas o tempo mostrou que Miles estava certo e o disco é apontado como influência no pós punk (convidado pelo produtor Bill Laswell, Davis gravou algumas partes com trompete durante as sessões do disco Album, do Public Image Ltd, contidas na compilação Plastic Box). Nas palavras de Lyndon, "foi esquisito, nós não usamos (suas contribuições)." De acordo com Lydon, Davis comparou sua voz com o som de seu trompete).

Mas foi Luis Fernando Veríssimo, em uma de suas crônicas no livro “Banquete com os Deuses” quem melhor sintetiza essa fase da carreira de Miles, usando uma das maiores paixões do músico, o boxe: “Um homem tem direito a fazer quantas revoluções por vida? Há quem diga que a última revolução de Miles Davis acabou em farsa, que o quase careca de túnica colorida fazendo fusão com a rapaziada não era nem uma sombra, era a múmia do antigo Miles reduzido a espasmos de som. Mas também há quem diga que o Miles da última fase era de uma coerência fulgurante, o velho boxeador na ponta dos pés e ainda fazendo história”.

On The Corner foi um direto no queixo.

Nocaute.

Texto | Discoteca Básica da Bizz

1972 | ON THE CORNER

01. On The Corner
02. New York Girl
03. Thinkin’ One Thing and Doin Anot
04. Vote For Miles
05. Black Satin
06. One and One
07. Helen Butte
08. Mr Freedom X

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Gram Parsons


Gram Parsons foi um gauche na vida que partiu muito cedo — porém deixando uma indelével marca na história da música norte-americana moderna ao fundir o pop caipira do Bakersfield Sound (um oposto ao som conservador e sisudo de Nashville que nasceu com Buck Owens na Baixa California) com o rock'n roll, concebendo um híbrido que seria musicalmente um dos gêneros mais prolíficos a partir dos anos 70, o country-rock. é certo que, no começo dos anos 60, muitas bandas tentaram introduzir o hillibily e o bluegrass em sua sonoridade (como o Jim Kwensky e o Lovin' Spoonful, por exemplo) e os Byrds chegaram a elaborar um estilo diferenciado amalgamar o que se chamaria de folk-rock.

Contudo, foi somente a partir da colaboração quase que acidental de Parsons no quinteto de David Crosby e Roger McGinn que, junto com músicos como Clarence White e John Hartford, influenciados por gente como Merle Haggard que os Byrds iriam estragar a festa do country.

E, como não poderia deixar de ser, eles acabaram pagando um proço caro pela ousadia. Gram convenceu-os a gravar o hoje clássico Sweetheart Of The Rodeo em território inimigo — Nashville. Conseguiram uma apresentação no mítico Grand Ole Opry em 1968 que acabou sendo desastrosa: foram duramente vaiados e banidos da cena musical de lá.

O público não admitia que um bando de hippies cantasse a música deles e quebrasse o rígido e draconiano protocolo do conservadoríssimo e secular Opry. O tiro saiu pela culatra, pois nem os mais velhos aceitaram aquele novo som, e a maioria dos fãs dos Byrds não entenderam o disco. Foi um desastre, mas todos saíram ilesos. Menos Gram, que a despeito de ter influenciado a direção musical de Sweetheart Of The Rodeo, colaborando com a lírica Hickory Wind, foi expulso da banda durante uma turnê dos Byrds pela África do Sul, por se recusar a tocar para um público que ele considerava segregacionista.

Parsons não saiu chamuscado — não havia esquentado o banco no conjunto, já que era apenas um músico contratado por Chris Hillmann, que o indicou para McGinn. No ano seguinte, o próprio Chris, já um byrd demissionário, aproveitou a deixa para formar os Flying Burrito Brothers, que seria o primeiro grupo de country-rock por excelência.


A trajetória foi curta, porém assim como aconteceria com todo o trabalho de Gram, seria uma semente para o futuro. Revolucionário para aqueles tempos, Parsons só conseguiria uma relativa visibilidade para si e para seu engenho e arte depois de conhecer um outro maluco beleza, o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards: depois de mudar o som dos Byrds, ele iria fazer o mesmo com o quinteto inglês. Isso aconteceria justamente no momento em que Keith estava desplugando o rock da banda em busca de algo mais próximo do country & western. Com efeito, o rumo que Jagger e companhia seguiriam nos álbuns dos stones entre 1969 e 1972 (do Let It Bleed ao Exile On Main Street) pagam tributo à Parsons. exemplos não faltam: Country Honk, Dead Flowers, Sweet Virginia, Let It Bleed, etc).

Gram aliás chegou a participar diretamente das sessões de gravação do exile em Nelicôte, em 71, mas sua personalidade instável e o abuso de drogas prejudicaram tanto a sua passagem pelos Burrito quanto pelos Stones. De volta do exílio na França, ele passaria algum tempo tocando com Ric Grech; de volta à América, ele conheceu Emmylou Harris, que estava se lançando como cantora. Era a parceria musical perfeita: a versão da dupla para Love Hurts (de Felice e Bordileaux Bryant, mesmos autores de All I Have To Do Is Dream) é certamente a mais bela irretocável de todos os tempos.

Com uma excelente banda de apoio (incluindo James Burton, guitarrista de estúdio de Elvis, cuja excelência pode ser comparada a de Luther Perkins), ele lançou uma carreira solo promissora, com contrato de gravadora (a Reprise). Promissora sim, se não fosse o endêmico problema de Parsons com as drogas, em especial a heroína. Contudo, o que o matou com apenas 26 anos foi uma mistura letal de álcool e morfina (como ocorrera com Hank Williams, um dos patriarcas do country, no começo dos anos 50). Lançado postumamente, em 1974, o inacabado Grievous Angel foi o seu segundo disco pela Reprise.

Na verdade, ele é um apanhado de sobras de gravações ao vivo (Hickory Wind e Cash On The Barrelhead) e esquetes do que seria o sucessor de GP, de 1972.

Mesmo díspar por natureza, Grievous resume bem a música que Gram Parsons sempre buscou naquilo que ele paradigmaticamente concebia como 'Cosmic American Music', um country meio biruta que mistura o rural e urbano, o temporal e o atemporal, em suma, um country futurista e universalista, acima de rotulações beligerantes (algo que então era comum no ambiente musical conflagrado do gênero) e reducionistas. Nem a morte de Gram salvaria as pretensões do disco, que passou desapercebido na época — nem configurou nos charts. Só o tempo cuidaria de restituir à Parsons e ao subestimado Grievous Angel o devido lugar no panteão do rock.

Texto retirado do blog | Vitrola

1973 | GP

01. Still Feeling Blue
02. We'll Sweep Out The Ashes In The Morning
03. A Song For You
04. Streets Of Baltimore
05. She
06. That's All It Took
07. The New Soft Shoe
08. Kiss The Children
09. Cry One More Time
10. How Much I've Lied
11. Big Mouth Blues

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1974 | GRIEVOUS ANGEL

01. Return of the Grievous Angel
02. Hearts on Fire
03. I Can't Dance
04. Brass Buttons
05. $1000 Wedding
06. Medley Live from Northern Quebec:
(a) Cash on the Barrelhead
(b) Hickory Wind
07. Love Hurts
08. Ooh Las Vegas
09. In My Hour of Darkness

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CéU


"O rótulo da MPB ficou limitado. Ele é bem abrangente, afinal é música popular brasileira. E me considero isso. Quando vou fazer um som, me alimento do que gosto e, como muitos outros da minha geração, me alimento não só de coisas específicas. Gostamos de ouvir música da Jamaica, agora estou escutando música etíope. Não penso que (tipo de) música estou fazendo. Simplesmente faço um som."

Maria do Céu Whitaker Poças, ou simplesmente CéU, cantora e compositora, iniciou a carreira artística em 2002. Seu trabalho traz influências tanto de música originalmente brasileira (particularmente o samba), como de hip hop, afrobeat, jazz, R&B etc. Ela já afirmou em entrevista que não rejeita o rótulo de MPB, mas considera que ele já ficou limitado:

A carreira de Céu começou em 2005, quando ela foi reconhecida como uma cantora que fugia dos padrões, seu primeiro disco “Céu”, foi influenciado pelo samba de raiz e música urbana e rendeu a cantora 03 indicações ao Grammy. Neste mesmo ano, Céu foi a primeira artista internacional convidada a integrar a série “Hear Music Debut” da rede norte-americana Starbucks. Seu disco de estreia vendeu mais de 200 mil cópias só nos Estados Unidos, a mais alta posição no Top 200 da Billboard.

Em seu segundo álbum “Vagarosa” (2009), Céu se inspirou na música jamaicana, o disco foi novamente aclamado pela crítica e emplacou o segundo lugar na parada de World Music da Billboard.

A estrada é o tema de seu terceiro álbum, Caravana Sereia Bloom, de 2012, aonde percorreu pelo mundo com mais de 300 shows e 20 países.

No ano de 2016 a cantora Céu lança seu novo álbum Tropix, um disco sintético, noturno e reluzente.

Nos últimos dez anos, Céu já se apresentou nos maiores festivais do mundo, como Montreal Jazz Festival, North Sea Jazz, Coachella, Roskilde, Rock in Rio, SF Jazz, JVC Jazz, entre outros.

Texto: Wikipédia | Site Oficial

2005 | CÉU

01. Vinheta Quebrante
02. Lenda
03. Malemolência
04. Roda
05. Rainha
06. 10 Contados
07. Vinheta Dorival
08. Mais um Lamento
09. Concrete Jungle
10. Véu da Noite
11. Valsa pra Biu Roque
12. Ave Cruz
13. O Ronco Da Cuí­ca
14. Bobagem
15. Samba na Sola

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2009 | CANGOTE (EP)

01. Cangote
02. Bubuia
03. Visgo de Jaca
04. Sonâmbulo





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2009 | VAGAROSA

01. Sobre O Amor e Seu Trabalho Silencioso
02. Cangote
03. Comadi
04. Bubuia (part. Anelis Assumpção e Thalma de Freitas)
05. Nascente
06. Grains de Beaute
07. Vira Lata (part. Luiz Melodia)
08. Papa
09. Ponteiro
10. Cordão da Insônia
11. Rosa Menina Rosa (part. Los Sebosos Postizos)
12. Sonâmbulo
13. Espaçonave

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2012 | CARAVANA SEREIA BLOOM

01. Falta De Ar
02. Amor De Antigos
03. Asfalto E Sal
04. Retrovisor
05. Teju Na Estrada
06. Contravento
07. Palhaço
08. You Won’t Regret It
09. Sereia
10. Baile De Ilusão
11. Fffree
12. Streets Bloom
13. Chegar Em Mim

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2014 | AO VIVO

01. Falta de Ar
02. Amor de Antigos
03. Contravento
04. Retrovisor
05. Grains de Beauté
06. Mil e uma Noites de Amor
07. Cangote
08. Baile de Ilusão
09. Streets Bloom
111. 10 Contados
12. Malemolência
13. Lenda
14. Concrete Jungle
15. Chegar Em Mim
16. Rainha

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DVD Audio | DOWNLOAD

2016 | TROPIX

01. Perfume do Invisível
02. Arrastar-te-ei
03. Amor Pixelado
04. Varanda Suspensa
05. Etílica/Interlúdio (feat. Tulipa Ruiz)
06. A Menina e o Monstro
07. Minhas Bics
08. Chico Buarque Song
09. Sangria
10. Camadas
11. A Nave Vai
12. Rapsódia Brasilis

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Iggy Pop


“Nesse exato momento, eu queria estar morto.
Eu simplesmente não aguento mais”.

texto do bilhete deixado por Ian Curtis,
encontrado enforcado em sua casa,
com o disco “The Idiot” de Iggy Pop ainda rodando no toca-discos.

Depois de ter produzido o último álbum dos pré-punk, The Stooges, David Bowie já renomado e prestigiado adotava o vocalista da banda, Iggy Pop, como pupilo e produzia seu álbum solo de estréia. Neste disco, “The Idiot”, de 1977, o Camaleão limpava o som ruidoso e retumbante dos Stooges, conferindo toda uma sofisticação e classe, acrescentava alguns toques tecnológicos e eletrônicos, dosando os elementos, sem contudo violentar a característica agressiva e selvagem do cantor.

Provas disso são “China Girl”, que viria a ser gravada por Bowie anos depois em um álbum próprio, exemplo claro de punk moderado, com todos os elementos ali, ritmo, força, distorção, voz rasgada, porém amenizados por um tema romântico e por um teclado agudo tipicamente oriental; ou “Funtime” cuja agressividade sonora fica contida pelos ecos e efeitos dando lhe inclusive um certo ar futurista.

“Sister Midnight”, a faixa que abre o disco e uma das grandes músicas dele, é notável com sua estrutura totalmente quebrada e pela versatilidade dos vocais de Iggy dentro da mesma canção; “Dum Dum Boys” mesmo na voz de Iggy é aquele tipo de balada tipicamente bowieana; o charmosíssimo pop de cabaré “Nightclubbing”, que mais tarde veio a ter uma versão igualmente admirável de Grace Jones, tem Iggy numa interpretação notável simulando uma certa embriaguez na voz; e o disco fecha com a lenta, minimalista e arrastada “Mass Production”, e seu apito de navio anunciando o fim do disco.

Texto retirado do blog | Cly-Blog

1977 | THE IDIOT

01. Sister Midnight
02. Nightclubbing
03. Funtime
04. Baby
05. China Girl
06. Dum Dum Boys
07. Tiny Girls
08. Mass Production


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